Órgão da Basílica é referência nacional
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Órgão da Basílica é referência nacional

Encontra-se instalado acima da porta principal da Basílica Menor Nossa Senhora Conceição Aparecida. Parte de sua estrutura fica encoberta. Mas isso não é problema. Quando está em funcionamento,transforma o silêncio em celebração, sensação de paz e som que toca a alma.

O órgão de tubo da Basílica é um verdadeiro patrimônio cultural, artístico e religioso. Poucas cidades do mesmo patamar se orgulham por contar com um instrumento musical desse porte e relevância. É usado normalmente em casamentos, missas e festivais de música sacra.

Sua história é rica. Começou a ser construído no dia 9 de maio de 1945 pelo organeiro Henrique Lins, de Indaiatuba. Somente dois anos depois é que ficou pronto. Foi despachado de trem, em Campinas, em viagem que consumiu longos cinco dias.

As peças, milhares por sinal, foram colocadas em 87 caixões de madeira. Três funcionários de Henrique trabalharam durante dez dias seguidos para montar o órgão e, enfim, proporcionar a realização desse sonho.

A inauguração do instrumento, um dos mais antigos da música ocidental, foi realizada no dia 20 de abril de 1946, às 15h. Desde então, é usado e se tornou referência não só na região, mas em todo Estado de São Paulo.

Durante 60 anos, funcionou no sistema pneumático, ou seja, o músico acionava, de forma ininterrupta, um pedal com os pés. Esse movimento produz ar comprimido nos tubos e, por consequência, o som musical. As notas são acionadas no teclado.

Entre 2006 e 2007, o sistema pneumático terminou substituído por um potente motor elétrico. Além da modernização, houve ampliação. O importante trabalho foi realizado por José Rigatto, de São Paulo. A comunidade se uniu para pagar a reforma.

O órgão tem hoje 1.126 flautas. As que são menores, quase imperceptíveis, têm o tamanho de um apito comum, desses usados em partidas de futebol. Enquanto que as maiores, que chamam a atenção, chegam a seis metros de altura e se aproximam do teto. Músicos voluntários se revezam em bonita e respeitável iniciativa para abrilhantar sonoramente as missas. 

Virtuoses de toda a região e de várias partes do Brasil também são usuários contumazes do órgão, uma das partes da bonita história dessa igreja criada em 11 de maio de 1933 pelo primeiro bispo diocesano, Dom Lafayette Libânio.

O religioso prometeu, em momento de fé, que ergueria a Basílica caso o município não fosse invadido pelos combatentes durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Cumpriu o que prometeu. O órgão é parte dessa caminhada. 


Categoria: COISA NOSSA

Criado em: 04/04/17 18:04:56

Sobre Autor

Raul Marques atua na imprensa de São José do Rio Preto (SP). Desempenhou as funções de produtor, repórter, chefe de reportagem, repórter-especial e editor. Trabalhou durante 12 anos no jornal Diário da Região, onde atuou na cobertura da Guerra Civil no Haiti e produziu importantes reportagens e séries especiais sobre história, comunidade, trânsito, turismo, meio ambiente e saúde. Tem dois livros publicados.