Sales abriga Cemitério dos Esquecidos
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Sales abriga Cemitério dos Esquecidos

O misterioso lugar repousa no meio da mata fechada. Fascina a população nativa, mexe com o imaginário de quem conhece sua história e é considerado ponto turístico. Não é um rancho especial, sítio arqueológico ou propriedade rural. Na realidade, trata-se de um cemitério. 

O Cemitério dos Esquecidos, como é poeticamente batizado, foi iniciado há 120 anos nas terras do vilarejo Capoeirinha, que originou Sales, pequena cidade a 80 km de Rio Preto. Seu nome remete ao período em que deixou de ser usado, em 1936. 

Hoje o ostracismo se foi. É um dos endereços mais procurados no município, ao lado das famosas prainhas do Torres e do Richelieu, nas margens do rio Tietê e que exageram natureza, lazer e beleza. 

O encantamento que desperta nas pessoas é tamanho que a Prefeitura estuda pedir o tombamento ao Iphan. Sim, fazer turismo em cemitério é prática comum nas principais capitais do planeta, em razão das personalidades sepultadas nesses locais e da arquitetura.

No Cimetiere du PèreLachaise, de Paris, por exemplo, há o túmulo de personalidades como Honoré de Balzac, Marcel Proust e Edith Piaf. Mas, em Sales, é diferente. Não existem essas peculiaridades. 

Em 2,5 mil metros quadrados estão enterradas 115 pessoas, entre os quais chefes indígenas e os primeiros moradores do povoado. Existem só seis túmulos devidamente identificados. O mais antigo data do longínquo 1915, mas há registros de outros túmulos, sem identificação, do fim do século 19.

A cruz azul, de madeira, é o símbolo que faz questão de lembrar: por mais simples que seja, cada qual representa uma vida, uma história, começo e fim. Praticamente todas estão decoradas com coloridas flores artificiais. Uma demonstração de respeito, mesmo sem saber por quem. 

Categoria: VOCÊ SABIA?

Criado em: 03/05/17 11:05:13

Sobre Autor

Raul Marques atua na imprensa de São José do Rio Preto (SP). Desempenhou as funções de produtor, repórter, chefe de reportagem, repórter-especial e editor. Trabalhou durante 12 anos no jornal Diário da Região, onde atuou na cobertura da Guerra Civil no Haiti e produziu importantes reportagens e séries especiais sobre história, comunidade, trânsito, turismo, meio ambiente e saúde. Tem dois livros publicados.